por Frei Edimar Fernando, O.Carm.[1]

eliassO ser humano carrega em si uma busca por algo que seja maior que ele, que o transcenda. Trabalhamos, comemos, respondemos às nossas necessidades fisiológicas, compramos coisas, cultivamos relações com familiares e amigos… mas sempre parece faltar algo. Isso é próprio da nossa condição finita que aspira por aquilo que é infinito, eterno. Queremos, no fundo, encontrar respostas às perguntas fundamentais de nossa existência: De onde vim? Quem eu sou? Para onde vou? A religião, que significa etimologicamente “re-ligar”, surge como uma tentativa de responder a essa busca de sentido.

No trânsito, se você não sabe o sentido a ser tomado, pode nunca chegar ao destino. Nós carecemos de um sentido para continuar caminhando em nossa peregrinação terrestre. Sem um sentido, as coisas parecem não terem importância. Cria-se um vazio existencial dentro da pessoa. Por isso, a alma clama pela experiência do Belo, do Mistério. Há muitos que têm buscado saciar essa sede nas drogas, no álcool, no consumismo, no prazer sexual etc. Jesus, quando se aproxima da samaritana, após pedir um copo de água, fala-lhe da água viva que apenas Ele pode oferecer. Somente uma água viva será capaz de saciar nossa sede mais profunda (cf Jo 4,15). Essa experiência de nos sentirmos atraídos ao Mistério carrega consigo o profundo desejo do ser humano estar unido com Deus.

Jesus esteve sempre em íntima união com o Pai. Sua vida esteve totalmente orientada por essa intimidade: “Eu e o Pai somos um” (Jo 10, 30). Santa Teresa pode nos ajudar a compreender essa união com Deus com algumas de suas comparações: “é como se caísse água do céu sobre um rio ou uma fonte, confundindo-se então todas as águas. Já não se sabe mais o que é água do rio ou água que caiu do céu. É também como se um pequeno riacho se lançasse  no mar, não havendo mais como separá-lo. Ou ainda como se numa sala houvesse duas janelas por onde entrasse muita luz; penetra dividida no recinto, mas se torna uma só luz” (7M 2,4). Assim, ela anuncia juntamente com são Paulo: “vivo sem viver em mim”. Trata-se de uma existência toda transformada em Deus.

O profeta Elias, vivendo em profunda solidão e silêncio, ensina os carmelitas a viverem nessa intimidade com o Senhor. A Regra Carmelita propõe como fim da vida carmelita a intimidade com Deus, pois sua principal missão é viver em obséquio de Jesus Cristo. A Institutio Primorum Monachorum, ao assinalar a dupla finalidade da Ordem, afirma que a união com Deus é o seu fim principal. Nela está a perfeição!

A vida de intimidade com Deus, somente ela, pode oferecer ao ser humano inefáveis ímpetos de glória que invadem sua alma de felicidade. Elizabete da Trindade soube reconhecer como poucas a inhabitação da Santíssima Trindade em sua vida.  Não se trata, porém, de um estado egoísta de satisfação, mas, antes, um estado no qual a alma, movida por Deus e vivendo uma vida divina, se consome toda por sua glória. A intimidade divina do Carmelo é uma escola aberta a todas as almas. A abertura de coração, porém, será necessária para acolher e reconhecer Deus que vem primeiro para estar unido a nós.

Essa união com Deus, que faz parte da natureza da vida Carmelitana, pode se expressar de diversos modos na vida dos Leigos Carmelitas. Todavia, fundamentalmente, o simples fato de você procurar esse grupo já revela seu desejo de estar unido a Deus. Tal união, porém, exige de nós uma abertura para a transformação Nele. Nossa vida deveria passar a ser toda orientada por essa união. Um caminho bom e reto para estarmos em sintonia com Aquele que nos dá a coragem para seguir o caminho iniciado é a Sagrada Escritura. Os Carmelitas já tem a Palavra presente em suas vidas desde a própria redação da Regra do Carmo, que é uma verdadeira colcha de retalhos de textos bíblicos que forma uma unidade do coração desejoso de Deus. Belo seria se quando alguém ouvisse um carmelita falando já não soubesse mais nem separar o que é palavra dele e o que é Palavra de Deus.

***

[1] Frei Edimar nasceu em Terra Roxa-PR e professou seus votos simples em janeiro de 2007, em Camocim de São Félix-PE. Seus votos perpétuos se deram em Florianópolis-SC, em abril de 2012. Já contribuiu como Mestre de Noviços em Belo Horizonte-MG, onde atualmente reside concluindo seu mestrado na FAJE-Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia.

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