O início

Há 800 anos nascia no Monte Carmelo, a Ordem do Carmo. Seu espírito está caracterizado por dois elementos: sua origem em Santo Elias, e sua dedicação a Maria. O Monte Carmelo é uma cadeia de montanhas, que tem 25 km de comprimento por 12 de largura, com uma altitude máxima de 546m, localizado na Terra Santa, hoje Israel. Limita pelo norte com Haifa, cidade marítima; pelo sul com as terras de Cesaréia; pelo leste com as planícies de Esdrelon e Saron; pelo oeste com o Mar Mediterrâneo. Carmelo significa graça e fertilidade. A Bíblia o pinta como uma torrente, a fonte de Elias, e uma vinha fertilíssima. “Tua cabeça sobre ti é tão linda quanto o Carmelo e teus cabelos como a púrpura” (Ct 7,5).

img_origem_01aPela Montanha bíblica do Carmelo passaram muitas raças e civilizações orientais e ocidentais. Por volta do ano 1192, surge no Monte Carmelo um grupo de eremitas latinos, oriundos da 3ª cruzada para conquistar a Terra Santa. Com o sucesso da reconquista desta Terra ocupada pelos muçulmanos desde o séc. VII, começaram as peregrinações ao país de Jesus. Como o Monte Carmelo era repleto de grutas, devido à constituição calcárea de sua rocha, ele passa a ser habitado por eremitas, que se constituíram nos primeiros carmelitas. Esses cristãos viviam na simplicidade, buscando a solidão e a oração, vivendo em obséquio de Jesus Cristo, isto é, no seu seguimento e a seu serviço. Com o passar do tempo, os primeiros carmelitas sentiram a necessidade de se organizar e de criar uma regra para sua convivência.

Elegeram um superior, e pediram ao patriarca de Jerusalém, Santo Alberto, que lhes escrevesse uma regra que estivesse de acordo com o seu propósito de vida. Isso ocorreu entre 1206-1214. A Regra Albertina pode ser dividida em duas partes: a organização externa do Carmelo e a vida interior dos carmelitas. Substancialmente a regra é eremítica. Os religiosos viverão em celas separadas, escavadas na rocha; haverá um lugar central para o oratório; nele se recitarão o Ofício Divino e a Missa Diária; nele também haverá lugar para o Capítulo conventual semanal. O porquê de sua vida é a contemplação, utilizando como meios principais a solidão, a mortificação e o trabalho manual. O guardião do eremitério é o Prior, eleito por maioria dentre os ermitões. Na obediência se concentram os votos religiosos; a pobreza é absoluta e o trabalho manual obrigatório. Junto a isto está a meditação contínua da Bíblia e o exercício das virtudes monásticas.

A princípio parecia que a Ordem não sairia da Palestina. Contudo mudanças políticas no país de Jesus obrigaram os carmelitas a emigrarem para a Europa. Os muçulmanos não desistiram da Terra Santa, e voltaram a perseguir os cristãos. Em 1238 se dá a transmigração dos carmelitas, que se estabelecem em Chipre, Sicília, França e Inglaterra. Em 1291, o mosteiro da Santa Montanha foi incendiado e martirizados os últimos carmelitas remanescentes.
Foi muito difícil para a Ordem do Carmo permanecer na Europa conservando a tradição eremítica. Era preciso fazer adaptações à Regra de Sto Alberto, conciliar a vida contemplativa com uma vida de ministério a serviço da Igreja. Foi através do trabalho incansável de São Simão Sotck, Superior Geral da Ordem, que os carmelitas conseguiram a aprovação das mudanças necessárias pelo Papa Inocêncio IV. Assim, nasceu no Carmelo um modo de”vida mista” : a vida ativa se exerce como fruto e conseqüência da contemplação que continua sendo fundamento e princípio da vocação carmelitana.

A Ordem Carmelitana hoje

A partir do Concílio Vaticano II, os Carmelitas têm refletido profundamente sobre sua própria identidade, sobre seu carisma, sobre aquilo que está na base e constitui seu projeto de vida, a saber: “viver em obséquio de Jesus Cristo e servi-lo fielmente com o coração puro e reta consciência” (Regra). Vivem este obséquio a Cristo empenhando-se na busca do rosto do Deus vivo (dimensão contemplativa), na fraternidade e no serviço (diakonía) no meio do povo. Tudo isto, os carmelitas realizam a partir do exemplo de vida do Profeta Elias e da Virgem Maria, e guiados pelo Espírito Santo. Olhando para Elias e Maria, os Carmelitas se encontram em uma situação fácil para compreender, interiorizar, viver e anunciar a Verdade capaz de tornar o homem livre.

Os Carmelitas, conscientes de sua pertença a Igreja e a história, vivem em uma fraternidade aberta a Deus e ao homem, capazes de escutar e dar respostas autênticas de vida evangélica com base no seu carisma próprio e empenhando-se na construção do reino de Deus onde quer que estejam. Por isso, todo carmelita está comprometido com a evangelização a partir das casas de oração, nos centros de retiros espirituais, nas paróquias onde atuam, nos santuários marianos, nas escolas e colégios, nas associações religiosas. Também estão comprometidos com a Justiça e Paz naqueles ambientes onde a dignidade humana é ferida, entre os pobres e marginalizados e aqueles que mais sofrem. A este empenho dos Carmelitas, que é variado e vasto, se unem a estreita colaboração das 79 comunidades de Monjas, das 14 Congregações das irmãs de vida Apostólicas, toda a família de leigos, os Institutos Seculares, os numerosos grupos de Ordem Terceira e Confrarias do Santo Escapulário. Todos estes grupos surgidos pelo Espírito através dos séculos, inspirados na Regra do Carmelo, estão intimamente unidos pelo vínculo do amor, da espiritualidade e da comunhão de bens espirituais e portanto, constituem na Igreja a Família Carmelita.

Atualmente a Ordem Carmelita (ramo de religiosos) está formada por 19 Províncias, 3 Comissariados Gerais, 3 Delegações Gerais, 2 Comunidades de Eremitas e 1 Comunidade Afiliada, com um total de 2,100 religiosos aproximadamente. Trabalham nos seguintes países: Alemanha, Argentina, Austrália, Bolívia, Brasil, Burkina Faso, Camarão, Canadá, Colômbia, Congo, Espanha, Estados Unidos da América, Filipinas, França, Grã Bretanha, Holanda, El Salvador, Índia, Indonésia, Irlanda, Itália, Kenya, Malta, México, Moçambique, Peru, Polônia, Portugal, Porto Rico, Rep. Checa, Rep. Dominicana, Romênia, Timor Leste, Trinidad, Ucrânia, Venezuela, Zimbábue. Estão sendo fundadas comunidades masculinas na Eslováquia, Tanzania e Libéria.