FRATERNIDADE

   

 Neste breve texto sobre a fraternidade venho identificar algumas situações visíveis e apresentar alguns caminhos que podem ajudar no crescimento saudável da vida comunitária. As leituras básicas utilizadas para nossa reflexão se encontram ao final deste texto

     Vivemos em uma sociedade plenamente pluralista em que o caminho a ser percorrido, para um bom convívio social, é o diálogo mediante o respeito de ideias e do pensamento de cada um. Porém, a reflexão com maturidade nos ajuda no crescimento humano e espiritual.

    Tenho percebido uma grande dificuldade no convívio social, onde as pessoas não sabem qual a sua identidade (quem sou?), qual a sua missão (porque vim para este mundo?). São perguntas que nos levam a nossa verdadeira essência, para a busca do propósito na sociedade onde eu habito.

     Com a crise de identidade e a fragmentação das emoções têm-se gerado muita dor em todas as esferas sociais, seja religioso, ou não. Como as pessoas estão emocionalmente fragilizadas, acabam buscando o escudo de proteção no fechamento do diálogo e agindo com agressividade para o fechamento interior. Percebe-se que as pessoas vivem em uma crise de ansiedade desenfreada, numa agressividade na comunicação, não têm paciência, são neuróticas em seus pensamentos e agem como ladrões de emoções.

     Neste momento, a palavra-chave que Jesus nos ensinou é a COMPAIXÃO com os doentes. Vale lembrar que compaixão é se colocar no lugar do outro que está fragmentado em suas dores, que está afetado em um ambiente de convivência. Quando me deparo com pessoas desiquilibradas nas suas emoções, sempre digo no meu silêncio: “o problema não sou eu” e ativo logo minha essência, pois, apenas estou sendo depósito de lixos, respiro para não entrar no jogo de debate vazio que não acrescenta em nada, e sigo em frente.

     Diante de toda esta realidade digo que é possível sim, viver em uma comunidade, seja família religiosa, ambiente de trabalho, família, entre outros. Em qualquer lugar que se encontra a pessoa, quando sabemos da nossa identidade e proposito de vida, não perdemos nosso foco com os ladrões das emoções.  Aqui me lembro da frase de Santa Madre Teresa de Calcutá: “não devemos permitir que alguém saia da nossa presença sem se sentir melhor e mais feliz”. Como mudaria todo o nosso cenário sobre vida comunitária aplicando este ensinamento em nosso convivo!

     Outro ponto que tem afetado muito a fraternidade são os usos errados das tecnologias midiáticas, sendo estes, instrumentos de conhecimento e facilitadores da aproximação entre as pessoas. Porém, acabou distanciando e sendo um “instrumento de corajosos” onde muitos despejam os seus sentimentos por meio de mensagem destruidoras. Que pena que não sabemos utilizar corretamente o instrumento para o benefício comum. 

    Quando vejo uma roda de amigos, ou reuniões familiares, em geral encontramos cada um com o seu celular na mão, sempre pontuo: “as pessoas distantes se tornaram próximas e as próximas se tornaram distantes”.  Na minha opinião é uma grande agressividade de exclusão com o próximo e vai contra a proposta de Jesus de inclusão social, pois todos que Jesus curava eram inseridos novamente a sociedade (Lucas 17,13-14) e, viver em sociedade é viver a fraternidade.

      Fraternidade, por sua vez, é uma palavra oriunda do latim que significa “irmão, que vivem juntos”; “fraternidade entre irmãos” ou “pessoas próximas com amor, solidariedade e misericórdia”. A prática da vida fraterna é construída diariamente entre os irmãos no convivo social, pela doação, pelo serviço e pela renúncia em vista do bem comum. Esta vivência tem que estar pautada no amor, não o amor sentimental que é pregado pelo mundo, mas no amor de Cristo, ou Ágape, que tem a capacidade de perdoar para salvar aquele que ama, retirando-o da sua miséria de pecado.

     Tenho visto a palavra amor utilizada para todos os momentos, porém quando é colocada em prática, torna-se o amor do descartável, só amo quando tenho algum benefício. Esquecemos que o amor de Jesus é o do oferecimento e não de troca ou benefício, por isso, sabemos que se uma pessoa ama verdadeiramente é no momento de sua miséria humana, pois, ela tem a capacidade de oferecer o perdão sem colocar condições. Exemplo disso é a passagem bíblica daquele filho prodigo que recebeu do pai misericordioso, vestes novas, foi acolhido com abraço e festa, porque este filho estava perdido e foi encontrado (Lucas 11-32).

     Quando de fato temos consciência da vida fraterna, nossa atitude é igual à do Bom Pastor que procura incansavelmente a ovelha pedida. Não podemos perder nossos irmãos, as “ovelhas”, que se encontram perdidas pelo mundo afora (Lucas 15,3-7).

Algumas doenças na fraternidade: Não escuta ninguém, não elogia ninguém, não reconhece os seus erros, agressivo na comunicação, falta de espiritualidade, indiferentes no convivo e falta de tempo de escuta.

Alguns pontos que ajudam na vida saudável comunitária: Alegria, educação, reconhecimento, elogios, diálogo, espiritualidade, amor ao próximo e tempo para escutar.

     Enfim, desejo para você um ótimo crescimento no convívio social, vivendo uma fraternidade saudável e um ambiente mais leve. Lembre-se que toda mudança sempre começa com a pessoa e, você poder ser esta mudança de comportamento no seu convivo social, pois quando um ciclo de convivo não vai bem eu também sou responsável por isso.  Deus os abençoe!

Frei Anderson Lucio Rosa Emanuel, O.Carm.

Pós em gestão de pessoas.

Fontes de leitura bibliográfica

BÍBLIA SAGRADA. Ave Maria / Edição de estudos.

COMODO, Vicenzo; CREA, Giuseppe; POLI, Gian Franco. O desafio da organização nas comunidades religiosas. Paulinas / Coleção liderança e vida consagrada.

PAPA FRANCISCO. Fratelli Tutti: sobre a fraternidade e a amizade social. Paulus

OLIVEIRA, Lisboa Moreira de. Viver em comunidade para missão. Paulus.

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