IRMÃOS DA BEM-AVENTURADA VIRGEM MARIA DO MONTE CARMELO: SEGUIR JESUS CRISTO

     A Ordem do Carmelo tem sua origem num grupo de eremitas leigos europeus que viajaram para a Terra Santa e estabeleceram-se perto da Fonte de Elias no Monte Carmelo. Entre os anos de 1206 e 1214 esses eremitas dirigiram-se a Alberto, Patriarca (bispo) de Jerusalém e núncio papal para a província de Jerusalém, com um pedido de uma “REGRA DE VIDA”, que seria conhecida como a “Regra de Alberto. De acordo com o Prólogo da Regra, os Carmelitas, assim como todos os cristãos, são chamados a Ser Discípulos de Cristo, Caminhar nas pegadas de Jesus Cristo. Descreve a maneira como nós Carmelitas, devemos viver em “OBSÉQUIO DE JESUS CRISTO”: “VIVER EM OBSÉQUIO DE JESUS CRISTO e servi-Lo fielmente com coração puro e consciência reta”. Este é o fundamento último do nosso Ser Carmelita, portanto, conhecer, permanecer, ficar com Ele é o primeiro exercício nosso. A expressão Viver em Obséquio de Jesus Cristo designava o novo tipo de Vida Religiosa que estava surgindo na época. Os empregados das grandes fazendas diziam: “Nós vivemos em obséquio de fulano de tal, Senhor desta Terra”.( um castelo rodeado de propriedades ao redor).

    O significado feudal básico de in obsequio era o do serviço, mas o serviço que um vassalo dedicava a um suserano. O seguimento ou submissão de outro (obsequium) implicava em obrigações da parte do senhor e do vassalo. Aqueles que viviam sob o patrimônio de um senhor feudal prometiam um trabalho bom e fiel, serviço em tempos de guerra e participação na solução de problemas ou questões. Por sua vez, o senhor prometia proteção… a seus vassalos. A esposa do Senhor da Terra era como uma Madrinha, “A SENHORA DA TERRA”.

     Esse significado secular de in obsequio foi transferido, na esfera religiosa, para o serviço dedicado a Deus ou (especialmente) a Cristo.

     Nos séculos XII e XIII, o relacionamento com Cristo era definido em termos semelhantes; valores de serviço feudal tradicional…, de fidelidade…, de submissão ou seguimento (obsequium), de estar convidado a…, de dedicação…, governavam as responsabilidades de um homem para com Cristo com uma influência penetrante que pervadia  todos os aspectos da vida diária.

     Todos os cristãos estavam convocados a este obsequium Christi. Mas durante o período das Cruzadas, o conceito assumiu precisão muito maior. Cristo tinha sido expulso de seu próprio patrimônio e sofreu uma injustiça. Por isso os papas evocaram o conceito para persuadir os cristãos a se engajarem na libertação da Terra Santa.  Portanto, o obsequium Jesu Christi teve um sentido muito significativo para os cruzados e outros, tais como os eremitas no Monte Carmelo, que peregrinavam ou moravam na terra de Cristo. Tais cristãos tornaram-se os vassalos especiais de Cristo, dedicaram-se especialmente a seu serviço (obsequium) e deveriam ser completamente fiéis a Ele.

      É claro que o patrimônio de Cristo não devia ser recuperado apenas através de esforços militares. Já que a queda de Jerusalém foi atribuída à infidelidade e aos pecados dos cristãos, a verdadeira conversão interior a Cristo e os exercícios espirituais (orações, penitência, jejum) eram mais importantes do que as armas terrenas dos cruzados. O soldado de Cristo deveria armar-se com a atitude de desarmamento de Cristo.  Essa era uma espiritualidade fundamentada na paixão de Cristo, concretizada apenas pelo ato de tomar a Cruz, através da qual o próprio Cristo tinha adquirido aquela terra. Portanto, o obsequium Jesu Christi era na verdade seguir o Cristo crucificado.

     Logo, no caso dos eremitas do Carmelo, sua submissão (obsequium) em particular a Cristo foi verdadeiramente definida pela corrente teológica contemporânea, de reconquistar a terra de Cristo através de combate espiritual imitando o sofrimento e o Cristo crucificado. Eles deveriam abraçar a pobreza, a penitência, o silêncio, a solidão, a oração e o jejum, “seguindo a lei de Cristo, estarem disponíveis para fazer tudo em seu nome, revestirem-se da armadura espiritual”, desarmar as forças do mal e, acima de tudo, meditar sobre a lei do Senhor. Em tudo isso, mas especialmente através da meditação da lei do Senhor e a recitação dos salmos, eles seriam transformados em Cristo.  É essa forma específica de “caminhar nas pegadas de Jesus” que é sinalizada no n.1 e mais tarde especificada na “Regra de Vida” deles

     Os frades Carmelitas são conhecidos como homens de oração e homens da Bíblia, isto vem do que vimos falar na nossa Regra que: O Carmelita “Medita dia e noite na Lei do Senhor” que permanece na sua “Cela”, (quarto), em oração constante e que é convidado na meditação da Palavra de Deus, a Bíblia encontrar a motivação para todas as suas ações. “Fazei tudo na Palavra do Senhor”. Isto significa também que a nossa atividade pastoral, nosso Serviço no meio do povo brota do encontro com Deus na contemplação.

     O nosso jeito de viver, isto é, o nosso Carisma, o que nos caracteriza como Religiosos na Igreja é definido na Regra e nas nossas Constituições: Nº 11 – das Constituições diz: esta Regra traça as linhas mestras da vida carmelitana no obséquio de Cristo, isto é, do espírito da Ordem: meditar dia e noite na Lei do Senhor, no silêncio e na solidão, para que a Palavra de Deus se torne abundante no coração e na boca de quem professa; praticar assiduamente a oração, especialmente com vigílias e Salmos, revestir-se das armas espirituais, viver em comunhão fraterna, expressa na celebração diária da Eucaristia, no encontro dos irmãos em forma de capítulo e comunhão de bens; correção fraterna e caridosa das culpas, austeridade de vida pelo trabalho e pela mortificação, fundada na fé, na esperança e no amor, conformidade da própria vontade com a vontade de Deus, procurada na fé e pelo diálogo e pelo serviço do prior aos irmãos.   

Nº 12 – Características da espiritualidade do Carmelo são também o matiz Eliano, que os Carmelitas desenvolveram quando viviam no Carmelo, lugar das façanhas do grande profeta, e a familiaridade da vida espiritual com Maria, da qual são sinais eloqüentes o título de Irmãos e a primeira Igreja no Monte Carmelo a ela dedicada. O Escapulário por nós doado por Ela, como sinal de nossa Consagração a ela e de sua proteção.

     Os Carmelitas vivem o seu obséquio a Cristo empenhando-se na busca do Rosto do Deus Vivo (dimensão contemplativa da vida), na fraternidade e no serviço (Diakonia) no meio do povo. (Profecia).

     Vivemos em comunidade e juntos numa relação de irmãos (fraternidade) buscamos o Encontro com Deus na Contemplação (Fraternidade contemplativa) e nele (Deus) encontramos os irmãos que sofrem, estão excluídos da “Vida”, “lemos os sinais dos tempos” e nos dispomos ao Serviço no meio do povo, (no mundo, na Igreja) Profecia.