São José e o Dia mundial de oração pelas vocações

    “Você tem sonhos? Qual é o sonho que você tem? Que sonhos já realizou?” Para muitos, nessas respostas estão a chave da felicidade. O ser humano foi criado para ser feliz. Nesse sentido, os sonhos são como que um impulso rumo a uma vida plena. Contudo, como cristãos, somos impelidos a irmos além e nos perguntarmos: “Qual é o sonho de Deus para mim?”

    Na diversidade de dons e carismas, a Igreja nos convida a pensarmos em algumas possibilidades de seguimento a Jesus por meio do 58° Dia Mundial de Oração pelas Vocações. No ano de 1964, no contexto da realização do Concílio Vaticano II, o Papa Paulo VI instituiu esse dia para que se intensificasse as orações pelas vocações sacerdotais e religiosas da Igreja. Moveu-lhe o pedido de Jesus: “pedi ao dono da messe que envie trabalhadores para a colheita” (Mt 9,36-38).

    O tema vocacional está presente na liturgia do IV Domingo do Tempo Pascal que faz alusão à figura de Cristo como Bom Pastor. Os padres diocesanos, bem como os religiosos e religiosas são convidados a fazerem de suas vidas um verdadeiro ato de cuidado e amor por aqueles e aquelas que mais precisam. Jesus mesmo também precisou ser cuidado.

    Dentre as pessoas que estiveram perto de Jesus, para esse ano o papa Francisco nos convida a olharmos a figura de são José, por meio do documento alusivo à data, intitulado: “São José: o sonho da vocação”. A temática está voltada ao pai de Jesus, porque no último dia 8 de dezembro, teve início um ano especial dedicado a esse zeloso e justo homem.

   Os Evangelhos não nos permitem identificar qualquer coisa de extraordinário na vida desse carpinteiro de Nazaré (Cf. Mt 13,55). Dele, não se encontra uma palavra sequer que tenha pronunciado sua boca. Contudo, diz o Papa Francisco, “através de sua vida normal, realizou algo de extraordinário aos olhos de Deus.” Isso ocorre, porque “Deus vê o coração (cf. 1 Sam 16, 7) e, em são José, reconheceu um coração de pai, capaz de dar e gerar vida no dia a dia. É isto mesmo que as vocações tendem a fazer: gerar e regenerar vidas todos os dias.”

     Em sua reflexão, o papa Francisco retoma três palavras que nos ajudam a entender como a vontade de Deus se realizou na vida de são José. A primeira é sonho. Como sabemos, sonho pode ser tanto algo de bom que almejamos para o futuro, quanto uma experiência que temos enquanto dormimos. Na visão do papa Francisco, as duas dimensões são faces de uma mesma moeda, pois “através dos sonhos que Deus lhe inspirou, fez da sua existência um dom.”

    Os Evangelhos falam de quatro sonhos (cf. Mt 1, 20; 2, 13.19.22) e “depois de cada um deles, José teve de alterar os seus planos e entrar em jogo para executar os misteriosos projetos de Deus, sacrificando os próprios. Na realidade, os sonhos introduziram José em aventuras que nunca teria imaginado”. Também, nós, quando nos deixamos guiar pelo sonho de Deus, podemos nos surpreender com o caminho que trilharemos.

     Uma segunda palavra é o serviço. Essa dimensão “não foi para São José apenas um alto ideal, mas tornou-se regra da vida diária”. O serviço geralmente implica capacidade de adaptação e disponibilidade de quem vive para servir.

     Nesse sentido que o papa pensa são José, guardião de Jesus e da Igreja, como guardião também das vocações. Quem quer cuidar, tem pressa. Não fica colocando dificuldade e empecilhos. O pai e esposo zeloso é um modelo daquele que cuida quando “levantou-se de noite, tomou o menino e sua mãe” (Mt 2,14). O cuidado atento e solícito é sinal de uma vocação realizada.

     Uma terceira e última palavra é fidelidade. José é chamando de “homem justo” (Mt 1, 19) que, “no trabalho silencioso de cada dia, persevera na adesão a Deus e aos seus desígnios”. Quando é necessário, ele detém-se “a pensar” em tudo. Não cede a tomada de decisões precipitadas.

     A fidelidade de José é alimentada à luz da fidelidade de Deus. Nos sonhos, ele é motivado a não ter medo (Mt, 1,20). E, como diz o papa Francisco, “não temas” são “as palavras que o Senhor dirige também a ti, querida irmã, e a ti, querido irmão, quando, por entre incertezas e hesitações, sentes como inadiável o desejo de Lhe doar a vida.”

    E você, que tal fazer “de Deus o sonho da vida?”

Frei Edimar Fernando Moreira, OCarm.

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